17 de junho de 2008

Educação no Campo para o Campo

A educação, assim como a saúde, é um direito de todos e dever do Estado implementar políticas públicas capazes de garantir sua qualidade social. Porém como sabemos não é bem assim que funciona, especificamente aqui no Brasil. Vou me reter a comentar apenas sobre a educação e escolarização no campo/rural brasileiro, porém sem deixar de mencionar a inter-relação entre o meio rural e urbano. Lembrando sempre que estamos falando em educação pública.
Podemos contextualizar a população rural num ambiente onde a agricultura e a pecuária são os meios econômicos e de subsistência característicos e onde existe uma demanda específica vinda por parte dessa. Esta população sente com a dinâmica que mistura as fronteiras entre os espaços rurais e urbanos, combinada com o agravamento da situação de falta de perspectivas para os que vivem da agricultura, e é neste âmbito que a educação está inserida.
Quando queremos analisar a educação no campo temos que ter em mente questões transversais como falta de investimentos expressivos, falta e má remuneração de profissionais, precariedade no espaço físico-estrutural e ainda currículos não adaptados à realidade e às necessidades dos indivíduos do campo. Neste contexto é que podemos ressaltar a importância de movimentos sociais como o MST no que concerne o avanço político-pedagógico, objetivando o crescimento coletivo. Este trás para a escola o cotidiano da comunidade, onde se favorece a formação de sujeitos críticos, militantes e coletivamente organizados.
De acordo com a ideologia dominante, que vem das elites, afirma a falsidade de que o espaço urbano é superior ao meio rural, de que a vida na cidade oferece o acesso a todos os bens e serviços públicos, qualidade de vida, onde há desenvolvimento, lugar da tecnologia e do futuro, enquanto o meio rural é o lugar do atraso, da ignorância, da pobreza e da falta de condições mínimas de sobrevivência. Esta afirmação não é por acaso, pois ela tende a afirmar que a vida camponesa está em fase de extinção, esta só sobrevivendo com o êxodo para cidade, ou se inserindo na agroindústria e ao agronegócio. Não refletindo a realidade.
Para o fortalecimento do meio rural a educação é um grande aliado, havendo a necessidade de basear-se em questões que interessam ao próprio indivíduo do campo: defesa do meio ambiente, tecnologias agrícolas e novos maquinários, exercício político, cidadania. Essa estrutura deve respeitar os hábitos rurais, as diferenças regionais, como os horários, a valorização do mundo rural, os temas, a metodologia de ensino e o calendário que respeite o ano agrícola. E não empurrar o camponês para a dinâmica perversa que é o êxodo rural seja em busca de emprego ou de escolarização.
Estas dimensões e demandas ganham espaços nas pautas dos movimentos sociais, das lutas e das organizações do povo do campo. E ainda na luta pela terra e por condições dignas de vida e de afirmação de sua identidade campesina.

REFERÊNCIAS:
• Silva, Vanda; Jovens de um Rural Brasileiro: Socialização, Educação e Assistência. – http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622002000200007
• http://www.serrano.neves.nom.br/dowloads/educrural.pdf

Mariana Vieira
Aluna de Ciências Sociais e estagiária do Programa TRD de KOINONIA.

Um comentário:

Priscilla Jequitibá disse...

O tempo frio
Aumenta a dor
Meu coração
Distante
Tão distante
Do meu amor

http://prixhoje.blogspot.com/